domingo, 22 de abril de 2012

Deficiência Visual e Sala de Aula


Hoje vamos falar um pouco sobre a Deficiência Visual, e como incluir os portadores dessa necessidade especial em sala de aula.
O termo deficiência visual refere-se a uma situação irreversível de diminuição da resposta visual, em virtude de causas congênitas ou hereditárias, mesmo após tratamento clínico e/ ou cirúrgico e uso de óculos convencionais.
A diminuição da resposta visual pode ser leve, moderada, severa, profunda (que compõem o grupo de visão subnormal ou baixa visão) e ausência total da resposta visual (cegueira).
Pessoa tateando escrita em braile
Segundo a OMS (Bangkok, 1992), o indivíduo com baixa visão ou visão subnormal é aquele que apresenta diminuição das suas respostas visuais, mesmo após tratamento e/ ou correção óptica convencional, e uma acuidade visual menor que 6/ 18 à percepção de luz, ou um campo visual menor que 10 graus do seu ponto de fixação, mas que usa ou é potencialmente capaz de usar a visão para o planejamento e/ ou execução de uma tarefa.
Os estudos desenvolvidos por BARRAGA (1976), distinguem 3 tipos de deficiência visual:

CEGOS: têm somente a percepção da luz ou que não têm nenhuma visão e precisam aprender através do método Braille e de meios de comunicação que não estejam relacionados com o uso da visão.
Portadores de VISÃO PARCIAL: têm limitações da visão à distância, mas são capazes de ver objetos e materiais quando estão a poucos centímetros ou no máximo a meio metro de distância.
Portadores de VISÃO REDUZIDA: são considerados com visão indivíduos que podem ter seu problema corrigido por cirurgias ou pela utilização de lentes.



CAUSAS

As principais causas da cegueira e das outras deficiências visuais têm se relacionado a amplas categorias:

·       Doenças infecciosas;

·       Acidentes;

·       Ferimentos;

·       Envenenamentos;

·       Tumores;

·       Doenças gerais e influências pré-natais e hereditariedade.



 Sala de aula X Cegueira

Tive a oportunidade de ler o artigo JOGOS E MODELOS DIDÁTICOS COMO INSTRUMENTOS FACILITADORES PARA O ENSINO DE BIOLOGIA (link do artigo no final da postagem).


O Artigo nos fala sobre a importância do uso de jogos didáticos e pedagógicos durante as aulas de biologia e de como o uso destes pode facilitar a aprendizagem de grande quantidade de alunos, tendo em vista que cada um tem uma maneira diferente de aprender, necessidades diferentes, e histórias de vida diferentes.

Uma das principais focagens do artigo é a Inclusão Social, de portadores de deficiência física, mental e sensorial, e de como é importante o uso de materiais que se ajustem a cada necessidade, como por exemplo, maquetes com diversos tipos de relevos para que o deficiente visual consiga ter ideia espacial de como é uma célula animal. 

Além dos jogos terem um forte apelo assimilativo do conteúdo ministrado em sala de aula, eles servem como um eixo que conduz ao conhecimento específico. O jogo pedagógico sempre deve ser analisado criticamente antes de sua aplicação, para ver se as regras não estão confusas, e se o conhecimento ali apresentado pode ser mesmo articulado com os assuntos específicos.

As atividades lúdicas quando bem trabalhadas, costumam sempre enriquecer o aprendizado. Elas nasceram quando os professores começaram a modernizar a sala de aula, pois perceberam que os alunos poderiam aprender mais facilmente as matérias se fugissem do molde clássico de "quadro negro, giz e oratória", pois tudo que é diferente, novo, e foge da regra, chama e prende a atenção do aluno.

Em 1996, a Lei de Diretrizes e Bases 9.394 foi instaurada para que os alunos com deficiências fossem inclusos no dia-a-dia das salas de aula, para unificar o ensino, e quebrar as barreiras morais, comprovando que esses portadores de necessidades especiais também poderiam se desenvolver intelectualmente iguais aos alunos sem deficiências, porém cabe ao professor, adaptar-se.

Alfabeto simples em braile
A utilização de modelos e maquetes pedagógicas, recursos em áudio, esquemas em braile, jogos didáticos, atividades lúdicas e vivências, sem dúvida trabalham como agentes facilitadores do ensino de biologia. Digo isso, pois em 2011, tive a oportunidade de ministrar oficinas sobre sexualidade na escola pública, e como de praxe, sabemos que oficinas devem escapar do padrão de aula, sendo encaradas como um momento de distração, relaxamento, mas nunca esquecendo que tem uma finalidade de ensino. 

A sorte de se escolher o ensino em biologia como profissão é a quantidade de assuntos envolvidos com o dia-a-dia, e o grande número de materiais disponíveis e de fácil acesso para utilizarmos em sala e desenvolvermos atividades e jogos.
É nosso papel, de professores do futuro, acabar com as barreiras de ensino tradicionais. Devemos incentivar o uso desses recursos em sala de aula, pois além deles servirem como meio de ensino a alunos deficientes, eles também podem fechar lacunas de aprendizado que alunos normais com dificuldades podem estar apresentando.



Inserindo os Portadores de Necessidades Especiais na Universidade

Os alunos do segundo ano de licenciatura em Ciências Biológicas da UEPG tiveram a oportunidade de vivenciar as sensações que uma pessoa com deficiência visual possui. As professoras Cristina Ayub e Marina da Rosa trouxeram para a aula de laboratório de ensino três portadores de cegueira e a professora deles, que fazem parte da UNIDEV (União de Deficientes Visuais). 
Turma do Segundo ano de Biologia
A Professora ensinou sobre o braile, e então nos vendamos. A sala foi distribuída em grupos, e cada aluno pode tatear a máquina de escrita em braile, e os símbolos que esta produzia. Em seguida, os visitantes nos emprestaram uma bengala especial, que orienta as pessoas sem visão para andar. Um tour pela universidade começou, um grupo de 4 alunos vendados eram orientados pela professora e por um colega que deveria auxiliar, técnicas de como alternar os passos com o movimento da bengala, e de como encostar o seu braço na pessoa com falta de visão foram ensinados.
Acadêmicos experimentando a locomoção de uma pessoa cega

De volta a sala de aula, pudemos sentir com os dedos o baralho em braile, a bola de futebol com sinos dentro, e o dominó especial. As nossas professoras mostraram para eles um modelo anatômico de uma barriga de mulher grávida com o feto em seu interior, para eles terem um pouco de noção sobre como se encontra o bebê na gestação.
foto ilustrativa de uma partida de futebol para cegos
Experiências e iniciativas como essas, são de grande valia para o currículo de futuros professores, e é bom ver como as universidades públicas dão valor a essa fração da população, tanto como atividades como esta, como com a disciplina de LIBRAS fornecida no ultimo ano dos cursos de licenciatura.

Em maio, caminho das sensações ...

Em maio, a UEPG estará organizando uma exposição sensorial com as matérias do curso de BIOLOGIA, em que os alunos irão disponibilizar modelos táteis de vários assuntos. Fiquem atentos à mais informações sobre essa mostra, o blog do PIBID 2 BIOLOGIA estará cobrindo a exposição.



Links úteis :

Artigo : http://www1.pucminas.br/proex/arquivos/ARTIGO%20REVISADO..pdf

APADEVI, Associação Pais Amigos Deficiente Visual / Telefone: (42) 3223-0784

Site da UEPG : http://portal.uepg.br/

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